Como conversar com seus filhos sobre temas delicados, como a segurança nas escolas?

A crescente onda de violência nas escolas brasileiras tem atravessado nossas emoções. Nem sempre conseguimos lidar com os sentimentos vindos dessas situações e o desafio é ainda maior quando se trata das emoções de nossos filhos. Devemos conversar sobre as violências que acometeram escolas no Brasil e no mundo recentemente, mas como trabalhar esses temas com crianças e adolescentes que, na atualidade, estão com o conhecimento desses assuntos na palma das mãos? Como transformar o pânico em um momento formativo?

Para início de conversa, precisamos nos sentir preparados para as perguntas que virão. Para tanto, a primeira medida é a de buscar informações em fontes seguras para evitar exaltar os ânimos de nossos círculos sociais com o compartilhamento de notícias infundadas e/ou fakenews. Também é fundamental escutar a criança e o adolescente sem impor julgamentos, pois precisamos esclarecer as dúvidas, acolher os medos e respeitar o luto para tratar a apreensão. É crucial compreender os sentimentos de nossos filhos, mas sempre mantendo a calma e fazendo-os refletir.

Escolha um espaço tranquilo e sem distrações para ter essa conversa e adeque a linguagem para a faixa etária de seu(s) filhos(s). Dedicar tempo de qualidade para trabalhar esse assunto demonstra a seriedade do tema e estimula a confiança entre os membros da família. Pode-se iniciar as reflexões perguntando se a criança e/ou o adolescente ouviu falar sobre um desses atos. É preciso perceber o que o seu filho sabe e quais são os sentimentos relacionados a esses eventos. Ao entender como o seu filho está lidando com a situação e munido das informações corretas, o acolhimento acontecerá na medida da necessidade, sem espaço para o desnecessário ou para o pânico. São as mães e os pais quem melhor conhecem seus filhos!

Aproveite a oportunidade para esclarecer sobre fakenews e as consequências do compartilhamento de notícias falsas: a instauração do medo e as sanções para esse ato[1]. Dê notoriedade à necessidade de ter bom senso e na responsabilidade que temos com relação à comunicação entre as pessoas, pois a liberdade de expressão não se sobrepõe aos direitos fundamentais da vida e da segurança. Para o atual momento em que estamos vivendo, é imprescindível que os estudantes compreendam a importância de não replicar informações falsas nos grupos dos colegas. Ao fazer ponderações sobre os motivos de um ataque, aproveite a oportunidade para mostrar que devemos sempre observar nossas reações quando estamos nervosos ou com muita raiva. Informe sobre as consequências de nossas ações nesses momentos, tanto para quem comete uma violência, quanto para quem a recebe.

Não se deve mentir ou omitir fatos. Algumas crianças e adolescentes sentem a necessidade de falar sobre o assunto, outras só querem ouvir. Devemos respeitar a forma como os filhos absorvem tais sentimentos e suas reações. É importante respeitar a dor, o medo e os sentimentos de nossos filhos para proporcionar um clima de paz, de tranquilidade e de segurança para a saúde emocional de todos.

Por fim, explique sobre as ações de proteção que estão sendo realizadas na escola em que eles estudam para que eles possam se sentir seguros. Estamos, todos, muito atentos a cada um de nossos estudantes. Dê dicas de como se comportar quando sentir medo e a quem procurar nesses momentos. Incentive a sempre informar a família e a escola sobre qualquer notícia maliciosa que venham a receber.

A escola é um ambiente social e vivo. Buscamos formar pessoas capazes de lidar com suas emoções para fazer do mundo onde vivemos um lugar de fraternidade e esperança em um mundo sempre melhor.

 

Abraços fraternos das Orientadoras Educacionais,

 

Pollyanna Souza – Educação Infantil e Ensino Fundamental I

Cláudia Amorim – Ensino Fundamental II e Ensino Médio

 

[1] https://canalcienciascriminais.jusbrasil.com.br/artigos/585697974/e-crime-compartilhar-uma-fake-news