A interrupção constante de aula: uma prática prejudicial

As solicitações das famílias de retirarem os filhos nos horários que antecedem ao término estipulado da finalização do turno é uma realidade cada vez mais presente nas escolas brasileiras. O fato é que tal situação ocorre numa rotina ativa a qual acaba por prejudicar o desenvolvimento do aluno e consequentemente a organização do professor.

O docente, por sua vez, no exercício de suas atribuições, norteia-se por meio de um planejamento distribuído por horários nos quais as disciplinas e os conteúdos são desenvolvidos, seguindo um referencial curricular o qual precisa ser cumprido na íntegra para que as inúmeras etapas de ensino-aprendizagem ocorram de forma gradual, significativa, efetiva e processual.

Nesse sentido, respeitar horários, regras e combinados também são habilidades que precisam ser trabalhadas e desenvolvidas no âmbito escolar. Assim, é dever das instituições de ensino orientar aos pais sobre os prejuízos ocasionados pela atitude de chegar atrasado ou sair antes do final da aula. Dentro do possível, a escola deve analisar as demandas e buscar atender às situações que não apresentam uma conotação rotineira, sobretudo por questões de respeito às famílias. Todavia, não podemos esquecer que educar também é respeitar combinados, regras e horários. Portanto, cada caso deve ser estudado e apresentado de forma consciente, sempre pensando no bom desenvolvimento do aluno.  Além disso, o diálogo, a parceria e a confiança entre escola e família são fatores essenciais para a boa convivência.

O problema é que na maioria das vezes, ao orientar ou informar às famílias sobre os prejuízos em atender demandas fora do que é habitual, gera-se insatisfação e falta de compreensão. Conscientizar que todos têm os mesmos direitos e que as regras devem ser cumpridas, sem exceções, não é tarefa fácil, mas vale lembrar que a incisão inesperada de aulas, seja ela por atraso ou por saída antecipada, interrompe a linha de raciocínio, dispersa e atrapalha os colegas, desorganiza a rotina de sala de aula, além de prejudicar o processo de ensino-aprendizagem.

A virada do calendário

Olá, leitores!

Estamos nos “finalmente” de 2018 e agradeço a todos vocês que compartilharam conosco as mensagens do Pense Nisso!

Desejo-lhes um feliz Natal e um 2019 propício à realização de seus sonhos. Acredito que a esperança e a persistência são o caminho para concretização de nossos ideais.

A chegada de um novo ano sempre nos enche de expectativas e ressignificação de nossos projetos. Geralmente fazemos um balanço de tudo o que vivenciamos, o que foi bom ou o que ficou a desejar, e partimos para o planejamento de outras ações rumo ao alcance de nossos futuros objetivos.

O certo é que a virada do calendário anual parece nos mover em busca de um novo tempo, de um desejo imensurável de paz, de benevolência e de mudanças.

O período de dezembro que antecede o Natal é considerado o tempo do Advento. Etimologicamente, o termo significa a vinda ou a chegada Daquele que é a luz do mundo. Daí a renovação de nossas esperanças e da aliança de amor em Cristo no sentido de praticar o bem, a justiça, a caridade, a fraternidade. Assim espero.

Que a trajetória de vida de cada um de nós, no próximo ano, continue a seguir os passos do Criador. E que Ele nos conduza ao renascimento de um mundo melhor.

O novo enfoque da Educação Infantil

O ensino brasileiro tem sofrido relevantes transformações a começar pela Educação Infantil, que atende hoje crianças de zero a cinco anos.

Até pouco tempo, esse nível de escolaridade era visto como um espaço para acolher crianças cujos pais necessitavam trabalhar. Havia nesse contexto uma linha de ação educacional voltada para o desenvolvimento integral da criança, porém não havia uma extensão incluída da LDB (Lei de Diretrizes e Bases).

Com as recentes mudanças relacionadas ao século XXI, a Educação Infantil passou a ser parte integrante da Educação Básica.

Portanto, até os três anos a criança se insere no segmento creche e a partir dos 4 até os 5 anos na pré-escola.

A atual BNCC (Base Nacional Comum Curricular) estabelece para a Educação Infantil os eixos estruturantes das práticas pedagógicas centradas nas interações, nas brincadeiras e no reconhecimento da criança como sujeito histórico e de direitos. Assim sendo, são seis os direitos de aprendizagem e desenvolvimento na Educação Infantil que norteiam a intenção educativa: conviver, brincar, participar, explorar, expressar-se e conhecer-se.

Já a organização desse currículo abrange cinco campos de experiência que se relacionam aos saberes e aos conhecimentos fundamentados a serem vivenciados pelas crianças e mediados pelos educadores.

1 – O eu, o outro é nós: experiências sociais na família, na escola, na coletividade, de outros grupos sociais e culturais.

2 – Corpo, gestos e movimentos: o corpo e seu espaço físico, seus movimentos etc.

3 – Traços,  sons, cores e formas: as diferentes manifestações artísticas,  culturais e científicas, as artes visuais e demais.

4 – Escuta, fala, pensamento e imaginação: situações comunicativas cotidianas, recursos vocais, a escrita como sistema de representação da língua, a leitura, dentre outras.

5 – Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações: diversos espaços, fenômenos naturais, socioculturais, o mundo físico e outros.

Como se vê, o atual currículo da Educação Infantil é um documento que aponta aprendizagens essenciais e indispensáveis a todas as crianças até 5 anos. Uma referência nacional obrigatória para a elaboração das propostas pedagógicas das escolas infantis.

Fonte: A Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br>. Acesso em 20 ago. 2018.

Meias verdades, completas mentiras

Acontecimentos recentes retomaram o tema das fake news nas notícias divulgadas nos meios de comunicação.

Nesse emaranhado de mentiras, um dos principais fatores que contribui para a disseminação das falsas informações é o sensacionalismo.

Caracterizado pelo exagero na cobertura de um acontecimento ou notícia, o sensacionalismo é uma prática que tem a finalidade de aumentar a audiência através de aspectos chocantes e do apelo emotivo que “prendem” o espectador ao fato.

Vale destacar que o uso de assuntos capazes de causar impacto e abalar a opinião pública, sem a devida preocupação com a veracidade, não é algo recente.

Esse artifício ganhou força no século XX, com as mudanças tecnológicas, demográficas e econômicas que alteraram a estrutura da experiência dos indivíduos.

Muitos dos valores consolidados na sociedade foram questionados, pautando, inclusive, a relatividade da moral diante de uma ausência de convicções.

Tal cenário implicou em um mundo mais rápido, caótico, fragmentado e desorientador.

O “bombardeio de estímulos” desse novo ambiente metropolitano promoveu a transformação de um estado de equilíbrio e estabilidade para uma crise de descompostura e choque.

Dessa forma, algumas noções deixaram de ser estritamente racionais e passaram a ser atreladas à sensibilidade em um movimento de estetização da vida.

Um desdobramento desse processo foi a ênfase dada ao espetáculo e à surpresa nas notícias divulgadas, despertando sensações vívidas e intensas.

Em síntese, a ampla escalada do divertimento sensacionalista foi a contrapartida das transformações radicais do espaço, do tempo e da indústria, como um reflexo da nova estrutura da vida diária.

O escritor, jornalista e sociólogo Siegfried Kracauer afirmou, também, que o sensacionalismo foi uma resposta compensatória ao empobrecimento da experiência, com base na superficialidade.

Com o tempo, esse fenômeno potencializou-se, fazendo com que os dias atuais chegassem a ser considerados como a “era da pós-verdade”.

Isso se deve a circunstâncias que fomentam a disseminação de mentiras em duas vias.

Por um lado, a propagação de informações espetacularizadas foi facilitada, muito em função das redes sociais que criaram um ambiente propício para difundir os sensacionalismos.

Por outro, muitos escolhem não acreditar no que é constatado, por simples comodismo ou por se sentirem envaidecidos ao verem circular na mídia e ouvirem na boca do povo aquilo que querem que seja real. Ou seja, os fatos objetivos passam a ter menos influência do que os apelos às emoções e às crenças pessoais.

Contudo, aumentaram-se também as possibilidades de checar tudo o que é divulgado. Então, faça uso desses recursos. Tenha atenção ao que lê e, principalmente, ao que compartilha. Não busque apenas argumentos que confirmem suas ideias; busque fontes alternativas e de confiabilidade consagrada, dados complementares, um real embasamento.

A mentira, ou mesmo os exageros entorno de um fato, podem gerar consequências muito prejudiciais para a coletividade. Não alimente esse ciclo vicioso que assola a credibilidade de pessoas e instituições honestas.

Consciência Nacional Negra

O dia da Consciência Negra, 20 de novembro, é celebrado no Brasil desde 2003. A data foi escolhida em referência ao dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, líder e principal representante da resistência negra à escravidão, na época do Brasil Colonial. Zumbi lutou muito para preservar a liberdade dos escravos negros que fugiam em busca de uma vida mais digna.

Em algumas cidades do país, esse dia tornou-se feriado, através de decretos municipais e estaduais. Mas o que realmente importa são os objetivos dessa comemoração. A referida data deve ser considerada como um momento de reflexão sobre temas relacionados ao preconceito, à discriminação, à igualdade social, à inclusão dos negros no cenário brasileiro, além das dificuldades que eles passam há séculos. Não podemos nos esquecer de que ao longo da história, os negros africanos foram injustiçados com a migração involuntária para o trabalho escravo em outras terras, entre os séculos XVI e XIX. Passaram por grandes sofrimentos durante a escravidão e ainda hoje têm sofrido com situações inaceitáveis de racismo.

Vale lembrar o líder americano Martin Luther King Jr. em seu discurso pela igualdade racial: “Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele”. Esse sonho também é nosso e vem se concretizando em movimentos de denúncia contra qualquer tipo de discriminação. Não vamos nos calar. Valorizar o papel do negro na formação étnica e cultural brasileira é mais que um dever, é um eterno reconhecimento.

O fato é que ao incluir merecidamente essa data no currículo escolar, esperamos que a educação de nossas crianças e jovens esteja pautada na igualdade de direitos entre todas as pessoas. Afinal, somos um só povo na formação da raça humana.

Em quem você se inspira?

Todos nós temos ídolos ou admiramos alguma celebridade. Mas, afinal, você já parou para pensar na origem dessas palavras?

Ídolo: do grego eídolon e do latim idolum, significa imagem que se presta ao culto e adoração. Seu sentido se estendeu do campo religioso para pessoas que, mais do que admiradas, passam a ser consagradas.

Celebridade: do ato de “celebrar”, o termo passa a nomear uma pessoa que, em razão de uma qualidade ou feito, torna-se digna de celebração, reconhecimento.

Os significados acima remetem a um fenômeno contemporâneo que vincula a ideia de ídolo e celebridade a uma espécie de culto fundamentado na admiração e reverência. Contudo, a atração exercida por indivíduos sobre um grande número de seguidores é algo existente desde a Antiguidade.

Isso ocorre porque a concepção aristocrática da liderança sempre promoveu a diferenciação entre o dirigente, que está acima da massa, e a própria massa. Essa diferenciação faz com que o “outro” confirme a existência de lugares diversos ocupados no status quo de uma sociedade.

Nesse contexto, o ídolo traz consigo a distância, provocando um estranhamento enquanto “outro” que fascina e convoca a um processo de idealização. O antropólogo, sociólogo e filósofo Edgar Morin ressalta o quanto o lado divino da estrela atende às necessidades de projeção dos indivíduos ordinários – do seu desejo de ir ao encontro da beleza, da força, da coragem, da perfeição, das crenças.

Ao mesmo tempo, o lado humano, com suas fragilidades, gera a identificação, fazendo com que o público compreenda o sofrimento de seu ídolo, partilhe suas dores, seja solidário nas suas perdas. Ou seja, que os atraia pelo que os assemelha.

Em suma, ainda que faça parte do “nós”, a celebridade se situa para além do “nós”.

Com intuito de explicar a relação emocional e magnética entre a celebridade e os seguidores, Max Weber desenvolveu o conceito de carisma. Sua aplicação estabelece que qualidades especiais ou únicas atribuídas ao indivíduo fazem dele um “profeta” ou um “salvador pessoal”, que desperta paixão e suscita devotos.

Essa lógica, entretanto, vem se alterando com o passar dos anos. O fascínio exercido pelas celebridades, atrelado à crescente demanda de referências por parte do público, promove a constante criação de ídolos.

O Big Brother, no final do século XX, e mesmo a recente visibilidade proporcionada pelas mídias digitais, com as blogueiras, os youtubers e os ilustres desconhecidos em seus cinco minutos de fama nas redes sociais, provaram que todos os homens comuns podem, e muitos querem, ascender à celebridade.

Emerge, assim, a celebridade pluralista. É dentro do ordinário que os candidatos se lançam em busca de destaque, não sendo mais necessário se inscrever num quadro de excepcionalidade para tal.

Isso leva a questionar sobre qual o papel do carisma nesse novo cenário. Com o anseio da visibilidade por ela mesma, o valor da exibição migra dos feitos e obras para o próprio eu. Com isso, tem-se o carisma já não nos indivíduos, mas em coisas sociais que os transcendem, como a imagem deles criadas pela mídia.

Seriam, portanto, “pseudocelebridades”, visto que o carisma agora lhes é emprestado pela indústria cultural, como um carisma simulacro. Em busca da fama, a celebridade contemporânea cria falsas ilusões e manipula os padrões considerados ideais para tentar suprir sua falta de conteúdo.

A reflexão que fica é: temos que redobrar nosso filtro ao absorver o que está sendo pregado pelos ídolos modernos e nos ater ao que as crianças e jovens têm como inspiração nos dias de hoje. Devemos buscar aquilo que efetivamente agregue valor em nossas vidas, tendo cuidado para não mergulharmos em neuroses baseadas em modelos inalcançáveis fomentados pelas celebridades do inútil através dos meios de comunicação.

Referências: “Economia e carisma da indústria cultural” – Eduardo Sintra e “Celebridades do século XXI” – Vera França.