Infância digital: entre a IA e o cyberbullying
Na mais recente edição do Relatório Norton Cyber Safety Insights: Connected Kids (2025), surgem dados que merecem nossa atenção como educadores e famílias.
No Brasil, 14% dos pais afirmam que seus filhos já foram vítimas de cyberbullying, sendo que 40% desses casos envolvem colegas da própria escola. As principais plataformas citadas foram Instagram (43%), jogos online (41%), Facebook (39%), TikTok (26%) e Discord (19%). Isso nos lembra que o bullying não termina mais no portão da escola.
Outro dado revelador: 39% dos pais brasileiros relatam que seus filhos recorrem à inteligência artificial como companhia ou apoio emocional, sendo o ChatGPT a ferramenta mais mencionada (67%). Globalmente, esse índice é de 36%. Embora 64% dos pais reconheçam os benefícios da IA para a aprendizagem e criatividade, preocupações sobre dependência, isolamento e vulnerabilidade emocional permanecem.
A infância digital começa cada vez mais cedo: crianças já têm contato com tablets a partir dos 2 anos e recebem o primeiro celular por volta dos 12. Isso faz com que experiências escolares, sociais e emocionais estejam profundamente entrelaçadas à vida online.
5 Destaques do Relatório
- Cyberbullying em alta – 14% dos pais brasileiros afirmam que seus filhos já foram vítimas; 40% dos casos envolvem colegas da própria escola;
- Plataformas mais citadas – Instagram (43%), jogos online (41%), Facebook (39%), TikTok (26%) e Discord (19%);
- Infância conectada cedo – contato com tablets já aos 2 anos e primeiro celular por volta dos 12;
- IA como companhia – 39% dos pais no Brasil notaram filhos recorrendo à IA para apoio emocional;
- Desafio para escolas – alfabetização digital como essencial para desenvolver criticidade, resiliência e bem-estar online.
O papel das escolas e das famílias
Esse cenário traz dois grandes desafios para as escolas:
- Acolher os efeitos do cyberbullying, que muitas vezes têm origem no próprio ambiente escolar;
- Formar alunos críticos e resilientes no uso da tecnologia, por meio da alfabetização digital.
Mas não apenas as crianças e adolescentes precisam ser alfabetizados digitais. Pais e responsáveis também devem buscar conhecimento e formas de acompanhar e limitar a vida digital dos filhos. Isso não significa cercear a liberdade, mas sim exercer a responsabilidade que lhes cabe: menores precisam de orientação, supervisão e acompanhamento familiar.
Trata-se de zelo, cuidado, carinho e amor. Estar presente no universo digital dos filhos é tão importante quanto estar presente em sua rotina escolar e social. O relatório mostra que 82% dos pais controlam o tempo de tela dos filhos, mas 29% das crianças conseguem burlar os limites. Isso reforça a necessidade de diálogo constante, atualização e envolvimento ativo das famílias.
Caminhos possíveis
Mais do que nunca, a escola se torna espaço fundamental de apoio às famílias, promovendo diálogos sobre segurança digital, saúde emocional e uso consciente das tecnologias.
O caminho passa pela alfabetização digital:
- ensinar as crianças a identificar riscos;
- cultivar relações saudáveis online;
- compreender os limites do uso de ferramentas de IA;
- envolver pais e responsáveis na orientação contínua.
Educar para o mundo digital é preparar os estudantes para uma vida mais segura, equilibrada e verdadeiramente humana.