INFORMATIVO DO INSTITUTO CORAÇÃO DE JESUS - DEZEMBRO/2004
 
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Alunos cantam a história do SAMBA

Todos os alunos do Instituto Coração de Jesus, da Educação Infantil ao Ensino Médio, passando pelas turmas do Ensino Fundamental, participaram do projeto “Cantando a História do Samba”, desenvolvido pela Escola durante o segundo semestre. Eles mergulharam fundo no rico universo do samba, realizando pesquisas sobre vários compositores e levantando informações que nortearam as atividades. Viabilizar ações culturais simultâneas com o samba, reunindo no mesmo espaço e tempo um pouco da história, cultura, lazer, entretenimento e muita música de qualidade. Este foi o objetivo principal do projeto “Cantando a História do Samba”, que ainda contribuiu para a valorização da memória musical do samba mais tradicional e propiciou aos alunos a oportunidade de ampliar seus conhecimentos sobre a cultura brasileira. O balanço final não poderia ter sido melhor. Os alunos do ICJ passaram a cantar e divulgar o samba brasileiro. Também mudaram a postura com relação aos preconceitos raciais e demonstraram muito mais interesse pela cultura afro-brasileira.Esses elementos foram incorporados à vida de cada estudante. Resultados de pesquisas iniciais confrontados com a finalização do projeto demonstram o quanto os alunos evoluíram em suas concepções. Depois de participar de encontros riquíssimos com Ataulpho Alves Júnior – filho do sambista Ataulfo Alves, um dos maiores artistas brasileiros – e também com o radialista Acir Antão, um divulgador incansável da nossa boa música, os alunos prepararam uma grande apresentação de encerramento, dia 27 de novembro, no Clube dos Oficiais da Polícia Militar. Com este projeto, o Instituto Coração de Jesus também atendeu à Lei 10.639, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tornou obrigatório nos ensinos Fundamental e Médio o estudo da história e cultura afro-brasileiras, com o objetivo de resgatar a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política do país, avançando na luta contra o preconceito racial.

 
 
 
 
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O ICJ é uma escola de samba

Para se falar em samba tem que se falar em negro. Para se falar em negro temos que contar a sua luta através de muitas gerações, erguendo o seu grito contra o preconceito.

Depois de várias atividades desenvolvidas ao longo do segundo semestre, abordando o universo do samba e a cultura negra, os alunos do Instituto Coração Jesus realizaram uma grande apresentação de encerramento do projeto “Cantando a História do Samba”, dia 27 de novembro, no Clube dos Oficiais da Polícia Militar. O evento contou com a presença de pais, familiares e amigos, coroando de êxito a iniciativa da Escola. As turmas de 1ª a 4ª série montaram a “Escola de Samba Unidos do Coração”, com alas e todos os elementos de uma verdadeira agremiação. “Mama África” foi o tema da 5ª série, que enfocou a importância do negro na nossa formação. Já os alunos de 6ª série apresentaram “De sambistas e de samba”, enfocando a obra de grandes sambistas. “Somos Herança da Memória”, tema desenvolvido pelas turmas de 7ª e 8ª séries, enfatizou a história do negro, da África às Américas. Um autêntico “Programa de Auditório” foi montado pelo Ensino Médio para retratar a época do rádio, quando o samba se firmou no cenário musical brasileiro. Após a apresentação dos alunos, o Instituto Coração de Jesus recebeu o certificado de participação no projeto “Cantando a História do Samba”, que terminou com um grande show do grupo “Dóris e Quinteto em Samba”.

Mama África

Os alunos de 5ª série homenagearam o continente africano por sua contribuição cultural à humanidade, apresentando o tema “Mama África” no encerramento do projeto “Cantando a História do Samba”. Um dos destaques foi o número de dança, ao som da conhecida canção “Mama África”, do compositor Chico César. A 5ª série lembroudois sambistas cariocas, Zeca Pagodinho (“Deixa a vida me levar”) e Nei Lopes (“Gotas de veneno”), que também é um respeitado pesquisador da cultura negra, autor de vários livros sobre o assunto. Outra homenageada da turma foi Clementina de Jesus, uma das mais queridas artistas brasileiras, que depois de trabalhar como empregada doméstica, começou sua carreira de cantora profissional com quase 50 anos de idade, transformando-se em um verdadeiro ícone da arte negra. A homenagem à Quelé, como a cantora era conhecida, se deu através da música “Marinheiro só”, um de seus maiores sucessos.

De Sambistas e de Samba

A apresentação da 6ª série no fechamento do projeto “Cantando a História do Samba” também foi bastante animada. Os alunos, caracterizados, enfocaram a vida e obra de dois compositores importantes, Nélson Cavaquinho e Paulinho da Viola, e também do conjunto Fundo de Quintal. “De Sambistas e de Samba” foi o tema desenvolvido pela turma. A música “Rei Vadio” foi a escolhida para a homenagem a Nélson Cavaquinho, boêmio que fez do Rio de Janeiro, onde nasceu e morreu, o cenário de sua vida cantada em inúmeros sambas. Ele e seu amigo Cartola são considerados os maiores compositores da Mangueira. Já o “príncipe” Paulinho da Viola, um dos principais responsáveis pela renovação do samba, foi lembrado por seu maior sucesso, “Foi um rio que passou em minha vida”, samba no qual homenageia a Portela, escola do seu coração. Com uma apresentação ao vivo, os alunos Guilherme Luid (voz), André Vitor e Alexandre Piroli (violões), Guilherme de Paula e Lucas (tambores), Matheus Santos (pandeiro) e Carlos Eduardo (cavaquinho), levantaram o público com “Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa, número que homenageou o Fundo de Quintal. Criado no final dos anos 1970, a partir do bloco carnavalesco Cacique de Ramos, no Rio, o grupo é hoje um dos mais antigos em atividade e tornou-se uma referência do pagode.

 
 
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Somos Herança da Memória

Quatro momentos dividiram a apresentação dos alunos de 7ª e 8ª séries na grande festa do projeto “Cantando a História do Samba”. Para contar um pouco sobre a riqueza musical que atravessou o Atlântico e se estabeleceu nas Américas, com os escravos trazidos da África, as turmas apresentaram o tema “Somos Herança da Memória”, com uma dança afro ao som dos atabaques. Outros instrumentos de percussão também soaram no Clube dos Oficiais, como cuíca e tamborim, para simbolizar o nascimento do samba. Caracterizados de Ataulfo Alves (“Ai, que saudades da Amélia”), Pixinguinha (“Carinhoso”), Dorival Caymmi (“Marina”), Martinho da Vila (“Madalena”) e Leci Brandão, a primeira mulher a entrar no rol dos compositores da Mangueira, os alunos contaram que no início do século XX o samba era perseguido, e por isso foi confinado aos fundos de quintais e aos morros. Depois, desceu para o asfalto, ganhando a sociedade e tornando-se expressão autêntica do nosso povo. Os personagens encerraram a apresentação cantando “Mulheres”, sucesso de Martinho da Vila.

Programa de Auditório

Ary Barroso, Noel Rosa, Zé Kéti, João Bosco, Jorge Aragão e muitos outros sambistas da velha guarda e contemporâneos passaram pelo autêntico programa de auditório montado pelo Ensino Médio para a culminância do projeto “Cantando a História do Samba”. Os alunos cantaram e analisaram letras, revelando a riqueza da obra de grandes compositores e mostrando que a chamada época de ouro do rádio brasileiro foi o período de afirmação do samba. As alunas Paula Prados e Thaís Amaral, acompanhadas pelosviolões da colega Thaís Magalhães e do professor Rodrigo, cantaram “Isto aqui o que é?”, de Ary Barroso. Thaís Angélica, também acompanhada pelo professor Rodrigo, apresentou “Pierrô apaixonado”, de Noel Rosa, com uma encenação típica das operetas da época, na qual não faltou a personagem colombina. O trio “ICJ Parada do Samba”, formado pelo professor Fausto e pelos alunos Bruno e Fabíola, mostrou dois números, “O bêbado e a equilibrista”, de João Bosco, e “Coisa de pele”, de Jorge Aragão. Já Maurício Dueles, pai do aluno Lucas, tocou e cantou “A voz do morro”, de Zé Kéti. A dupla Celina e Paulo Roberto dançou sobre patins um dos choros mais famosos do nosso cancioneiro, “Brasileirinho”, de Waldir Azevedo. O final foi empolgante: todos cantando juntos “Cantores do Rádio”.

 
 
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Ataulpho Alves Júnior na roda de bambas

Um dos momentos mais emocionantes do projeto “Cantando a História do Samba” foi o encontro dos alunos do Instituto Coração de Jesus com Ataulpho Alves Júnior, sambista como o pai, Ataulfo Alves, um dos maiores expoentes da cultura brasileira, autor de clássicos da MPB, como “Ai, que saudades da Amélia”, música composta em parceria com Mário Lago. O encontro, ocorrido no dia 4 de novembro, foi uma verdadeira roda de bambas. De manhã, o artista se reuniu com as turmas de 6ª a 8ª série do Ensino Fundamental e com os alunos do Ensino Médio, que inclusive o acompanharam em vários sambas.

O grupo “Dóris e Quinteto em Samba” também marcou presença. No período da tarde, foram os alunos de 1ª a 4ª série que se encontraram com o sambista. Além de cantar, Ataulpho Júnior contou muitas histórias e curiosidades sobre o universo do samba, contribuindo ainda mais para enriquecer o trabalho. A coordenadora do “Cantando a História do Samba”, Elzelina Dóris, destacou a participação do ICJ no projeto:

“O Instituto Coração de Jesus foi a primeira escola particular a participar do nosso projeto. Fico muito feliz sabendo que estamos conseguindo contribuir para a nossa cultura e fortalecer a identidade do negro”. E Ataulpho Alves Júnior, a grande estrela, assinou embaixo. “Este projeto é muito bonito, os estudantes adoraram. O ICJ está de parabéns pela iniciativa”, afirmou o compositor após o encontro com os alunos.

Almanaque do Samba

Pelo Telefone

Se não foi o primeiro samba, “Pelo Telefone”, de Donga, certamente foi a primeira música gravada com a identificação do gênero “samba”, em 1917. Pesquisadores afirmam que o tema já era cantado, um ano antes, nas rodas de samba promovidas por Tia Ciata (Hilária Batista de Almeida) na Rua Visconde de Itaúna, próximo à Praça Onze, no Rio.

Deixa Falar

A primeira Escola de Samba, chamada “Deixa Falar”, foi fundada em 18 de agosto de 1928, na rua
Estácio de Sá, Rio de Janeiro. A denominação “escola de samba” foi uma brincadeira: na mesma rua
ficava a antiga Escola Normal, onde se formavam professores primários. Na “Deixa Falar”, segundo seus fundadores, formavam-se “professores de samba”.

Palpite Infeliz

Dois dos maiores sambistas de todos os tempos, Noel Rosa e Wilson Batista, travaram uma acalorada briga, usando suas músicas como armas. Quando o samba de um era lançado, com versos
provocativos, o outro imediatamente respondia na mesma moeda. Dessa pendenga musical surgiu, pelo menos, um clássico da MPB, o samba “Palpite Infeliz”, de Noel.

Carnaval brasileiro

Por duas rotas o carnaval chegou ao Brasil. A primeira, partindo da África, de onde os negros trouxeram seus cantos e suas danças. A outra veio da Europa, através das festas tradicionais de Portugal, como o Entrudo. A soma das duas resultou no modelo de carnaval brasileiro.

Ô Abre-alas

Compositora de maxixes e lundus, entre outros gêneros, Chiquinha Gonzaga também tem seu nome estreitamente ligado ao carnaval brasileiro. Sua marchinha “Ô Abre-alas” foi a primeira música composta especialmente para o carnaval, em 1899, anos antes do samba entrar de vez na maior festa popular do país.

Enciclopédia de ritmos com Acir Antão

Outro momento bastante enriquecedor proporcionado pelo projeto “Cantando a História do Samba” foi o encontro dos alunos da 7ª série com o radialista Acir Antão, um dos maiores especialistas em música popular brasileira, que ocorreu dia 17 de novembro, no auditório do Instituto Coração de Jesus.

O convidado falou sobre o samba e outros ritmos brasileiros, como maracatu, frevo, baião, etc., demonstrando afinidades e diferenças entre eles. Para Acir Antão, o samba é o “pai” da maioria dos ritmos brasileiros, dando a exata dimensão da contribuição dos negros para a cultura nacional. “O Instituto Coração de Jesus está fazendo um trabalho brilhante ao desenvolver um projeto tão importante como esse.

Os jovens têm a oportunidade de levantar e discutir questões que contribuem diretamente para um maior entendimento e valorização da nossa cultura”, avaliou Acir Antão, que contou também muitas curiosidades, como a origem do carnaval brasileiro. A versão sobre o surgimento da feijoada - segundo a qual os escravos aproveitavam as partes do porco que eram dispensadas pelos senhores de engenho para fazer o que se tornou um dos pratos mais tradicionais da culinária brasileira – chamou muito a atenção dos alunos da 7ª série. No final do encontro, o radialista distribuiu autógrafos, que os alunos guardaram orgulhosamente.

Experiência que deu certo

Projeto Orientação em Adolescência e Sexualidade é desenvolvido com a 7ª série

A descoberta da sexualidade é um momento decisivo em nossa vida. Em função disso, o ICJ tem procurado, através do projeto “Orientação em Adolescência e Sexualidade”, desenvolvido com a 7ª série, contribuir na formação integral dos seus alunos, enfatizando o assunto como um aspecto natural e positivo para o ser humano. Durante os encontros o aluno aprende o que precisa saber e esclarece suas dúvidas com ajuda da educadora Durce Ribeiro, sob a coordenação da psicopedagoga e orientadora Nídia Greco, especialistas em educação afetivo-sexual.